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terça-feira, 19 de outubro de 2010

A ti,

Escrevo a você que fala comigo de longe, num silêncio cego e bestial, aqui derramo meias palavras e deixo-as voar, espero que as possa encontrar.
Tenho em minha face o doce verter dos ventos, as flores nos meus cabelos se despetalam, já agonizadas, parece que me inquieto, numa espera do que creio não chegar. Não existe como parar esse grande monólito que marca em tic, o passo da água, gostaria de ser amiga dessas entidades incorpóreas, talvez assim não houvesse sina para mim.
Agora sorriu pensando, sem dúvida já me sinto seca, afogada nesse sabor de amêndoas, quero deixar ir, pois não tenho como aprisionar a esse pequeno , esse menino desdobrado, esse lado (do outro lado) que comigo está.
Posso olhar de onde estou, quase em êxtase, a amplidão carnívora do oceano, (gargalho) outra vez, ele bebe, deleitoso as gotas que em mim escorrem. Entre um gole e outro posso sentir quando fala: "Nós temos vivido muito e procuramos o que podemos amar e estimar."
Sôfrega, entre murmúrios confesso... quero, e entre suspiros , arisco, balbucio... fica.
Sinto uma latência interior... pois sei que algo em mim escorre e em qual amor?

Assim, indo para ti.

Due.

2 comentários:

Neko disse...

tic tac... tic tac...

ewé ifá disse...

Menina, me nina...

Tem crescido entre meus passos: verdes impossíveis. Caminho descalço, arrasto o nú dos pés por onde você tateava os puídos do mundo. Misturo meus vermelhos aos teus aquosos, lá onde nada mais nasceu, e corro o risco de atiçar assim o velho Deus-Rio-do-Sangue.
Nada em mim te espera, mas, quando cego e rente ao chão me posto(um apache), as tremuras que sinto são dos teus passos alhures. Você me deriva. Eu o mar-morto. Eu o origami de gente. Eu o cego-cão.

Estou cego para te sentir menina.
Agora só me falta aprender o silêncio... (me dê a mão)

o ex-estranho
Pietro